Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Aprender a rezar na era da Técnica (companhia das Letras) - Brasil

Os novos nomes do mal-estar na literatura contemporânea
(Roberto Bolaño e Gonçalo M. Tavares)


23 de Dezembro de 2008 -
por Alessandro Atanes * Portoliterário (Brasil)

Sei que as festas estão chegando, mas outra

força de fim de ano, a retrospectiva, aponta para um tema nada natalino, "o mal-estar na civilização", expressão com que Sigmund Freud nomeou um de seus mais importantes livros, publicado em 1930, entre as guerras mundiais. Isso porque 2008 foi frutífero em edições brasileiras de dois dos principais autores contemporâneos: o chileno Roberto Bolaño e o português Gonçalo M. Tavares.

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

A Loucura do Homem sem Medo

Revista BRAVO! |Dezembro/2008 (Brasil)

Crítica - A Loucura do Homem Sem Medo

Com ''Aprender a Rezar na Era da Técnica'', o escritor português Gonçalo M. Tavares traça um retrato da esquizofrenia como há muito tempo não se via na literatura

Paula Barcello

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

O senhor Breton e a entrevista



(Caminho, novembro 2008)

Sobre o Bairro

"Gonçalo M. Tavares criou um Bairro portátil, um maravilhoso Chiado literário – que jamais arderá – onde compram pão e tomam aperitivos O Senhor Valéry, O Senhor Juarroz, O Senhor Walser, O Senhor Henri (Michaux), O Senhor Calvino, O Senhor Brecht, entre outros. O seu Bairro é de uma originalidade impressionante."

Enrique Vila-Matas


"Graças à lógica e ao desenho, o senhor Valéry encontrava sempre a solução."

Jacques Roubaud (no Prefácio à primeira edição francesa - os textos do sr. Valéry foram lidos numa sessão do OULIPO)


"universos lúdicos, engenhosos e humorados."

Bernardo Carvalho


“deliciosa invenção gráfico-literária”

Franco Marcoaldi - “la Repubblica”


"Cada um dos seus livros (ou série de livros) é um caleidoscópio que manipula a realidade para melhor a observar."

Alberto Manguel



Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Reacções em França

« Un Kafka portugais. Gonçalo M. Tavares va-t-il devenir um produit d' exportation au même titre que le porto ou la saudade?

Impossible de résumer ce roman radieusement noir sinon qu'il ne cesse de brouiller les frontières entre la raison et la folie, l'horreur et la dérision, l'absurde et la gravité. Entre les Marx Brothers et Hannah Arendt. Audacieux mélange à savourer phrase par phrase. »

Elisabeth Barillé, Le Figaro magazine

« Avec une sidérante maestria qui rappelle Kafka ou Gombrowicz, Tavares nous interroge sur des sujets aussi graves que le mal, la folie ou la peur. Loin d'un énième pensum à thèse, ce brillant Jérusalem n'exclut toutefois pas l'humour, à l'occasion de quelques digressions surprenantes – sur les chaussures, les poils pubiens ou le danger des blagues ! »

Baptiste Liger, Lire

« Jérusalem est un grand roman sur l'enfermement et l'oppression, où Tavares affirme que l'on peut être, à tour de rôle, victime ou bourreau, puisque la neutralité humaine n'existe pas. »

Christine Ferniot, Télérama

« Magistral réflexion kafkaienne sur la peur, la folie et la douleur »

Lire

« Jérusalem est un grand livre. Le jeune auteur Gonçalo M. Tavares y mène une réflexion magistrale sur les frontières souvent ténues qui séparent l'humain de l'inhumain, la raison de la folie. »

Allan Kaval, Marianne

« Un roman [...] qui fait férocement penser aux deux « K » de l'Est du XXe siècle : Kafka et Kundera. [...] Une ballade romantique et stridente entre raison et folie, le mal et la survie, l'inné et l'acquis. »

Hubert Artus, Optimum

« Le plus grand don du jeune romancier Gonçalo M. Tavares réside dans sa capacité, en tant qu'écrivain, à réduire le monde en fragments pour le reconstruire à nouveau, comme s'il s'agissait de sa propre création. Chacun de ses livres (ou série de livres) est un kaléidoscope qui manipule la réalité pour mieux l'observer […]. Jérusalem est peut-être sa création la mieux réussie, un chef-d'œuvre original, profond et intelligent abordant le thème de la souffrance humaine. […] Un drame complexe et émouvant sur l'aliénation du monde contemporain. »

Alberto Manguel

« Poète, romancier et dramaturge, pour [Tavares] la poésie n'est pas incompatible avec la logique mais relève plutôt d'une forme de science individuelle qui peut aborder tous les sujets et faire usage de toutes les formes de langage. »

Les Belles étrangères


« Les éditions Vivianne Hamy proposent, en magnifique traduction, un seul volet d'une trilogie d'un auteur né en 1970, surgi en littérature en 2001, déjà couvert de prix et ayant, dans sa précocité flamboyante, abordé tous les genres, du théâtre à la poésie. Il est grand temps de prendre ce train en marche. »


« Magistral ! Et follement réjouissant »

Marianne Payot, L' EXPRESS

« Rarement oeuvre romanesque a possédé autant de densité. En cela, le poète et romancier Gonçalo M. Tavares est une révélation. Pour tenter de cerner l'inquiétante beauté de ce drame, [...] il faut se tourner du côté de Georg Kaiser, de Gottfried Benn, d'Ernst Toller ou des premiers poèmes de Johannes R. Becher, de la littérature et du théâtre expressionnistes. »

S. F., Magazine littéraire

"Tavares, le Kafka de Lisbonne. Il y a des débuts qui ne trompent pas. Celui du premier roman de Tavares, jeune auteur portugais, ouvre la porte d'un véritable univers. Lisez «Jerusalém» !! »

Valérie Marin La Meslée, Le Point

« Jérusalem traite aussi de la résistance. Les fous et les déjetés: tous debout contre la police de la pensée. »


Claire Devarrieux, Libération


« Parabole en forme de spirale, empruntant son rythme au montage des films expressionnistes allemands, distillant l'angoisse d'un Kafka mais imposant la distance érudite d'un Borges. »

Antoine Perraud, La Croix


Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

França

Em França sobre Jerusalém e Mr. Valéry:

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Télérama, 15 Outubro 2008

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Livros em França


Edição de Jerusalém em Francês com tradução de Marie-Hélène Piwnik, Éd. Viviane Hamy


Edição de O senhor Valéry em Francês com tradução de Dominique Nédellec, Éd. Viviane Hamy

Alguns dos artigos publicados em França sobre Jerusalém:

Le Magazine Littéraire, outubro 2008


Le Figaro magazine, 4 Outubro 2008

Ver também o artigo publicado no Zone Littéraire.

Edições no Estrangeiro

Brasil


No Brasil também foi recentemente editado Histórias Falsas pela Casa da Palavra.

México

Várias edições de Jerusalém

França


Roménia


Eslovénia


Hungria

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970.
Desde dezembro de 2001 publicou romances, poesia, ensaio e contos.

Recebeu o mais importante prémio do Brasil - Portugal Telecom 2007;
o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004 com o romance - "Jerusalém" (Caminho);
o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com o livro O Senhor Valéry (Caminho);
o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com Investigações.Novalis (Difel);
e o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores "Camilo Castelo Branco" com água, cão, cavalo, cabeça (Caminho).
Os seus livros deram origem a peças de teatro, objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, etc., bem como a teses académicas em Portugal, Brasil e Itália.

Em 2008 recebeu em Itália o Premio Internazionale Trieste.

"Aprender a rezar na Era da Técnica" é o seu último romance.

Vinte e um dos seus livros estão a ser editados em vinte países.




EDIÇÕES ARGENTINA

Foram lançados no início do mês de Maio na editorial Letranómada, (Buenos Aires, Argentina) os livros água, cão, cavalo, cabeça

e histórias falsas

numa tradução para o castelhano de Florencia Garramuño.
Recensões no diário O clarin, na Prensa Digital, no diário La Nación, entre outros.

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Aprender a rezar na Era da Técnica


O novo romance dos «Livros pretos» de Gonçalo M. Tavares, livro que se segue ao romance Jerusalém. Aprender a rezar na Era da Técnica é a história de Lenz Buchmann, médico que a certa altura decide trocar a medicina pela política. Este livro relata as fases de força, doença e morte de Lenz Buchmann. Os conflitos de família, a forma de lidar com a doença por parte de um homem poderoso, as reacções da cidade a um crime, as relações de antagonismo com outra família. A natureza, a técnica, a força, a fraqueza. Por fim, a decadência.
Depois de Um Homem: Klaus Klump, A Máquina de Joseph Walser e Jerusalém, Aprender a rezar na Era da Técnica mantém o mesmo olhar sombrio sobre a condição humana: «O que vês quando olhas para onde todos olham?»

«O que nas pessoas estranhas, desviadas por passo próprio ou enxotadas pelos outros, o fascinava era a absoluta liberdade individual com que faziam as suas escolhas. Num louco ou num pedinte que vagueava pelas ruas a pedir pão e sopa e que, de noite, tal qual os outros humanos, só queria dormir, Buchmann via quem poderia escolher em liberdade pura, e sem consequências, a sua moral individual. Moral que nem sequer tem um par, um elemento que a acompanhe. Quem iria contestar a «vida imoral» de um pedinte ou de um louco? Aqueles homens tinham já em si, pela sua diferença, uma carga de imoralidade universal e profunda, que os tornava imunes às pequenas imoralidades praticadas. Um louco, tal como um pedinte, não era imoral. Eram indivíduos sem cópia, semelhantes a um rei; alguém que não tem par, que não tem aquele que está ao seu lado. E por isso não há para esses homens escorraçados, como não há para o homem mais poderoso, qualquer critério de comparação. Buchmann olhava com admiração para aqueles homens que traziam no bolso um sistema jurídico único, com o seu nome no fim. De certa maneira, era isso que Buchmann desejava; ser portador de um sistema legal cujas leis só fossem aplicadas a si; ser portador de uma moral que não é a do mundo civilizado nem a do mundo primitivo; que não é a moral da cidade ou sequer a moral da sua família mas a moral que tem o seu nome, apenas o seu, escrito por cima. »

Excerto de Aprender a rezar na Era da Técnica, Caminho, 2007
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O Senhor Walser



«Como Walser está contente! Mal se abre a porta de sua casa - sente ele - entra-se noutro mundo. Como se não fosse apenas um movimento fisíco no espaço - dois passos que se dão - mas também uma deslocação - bem mais intensa - no tempo; do pé de trás que vem ainda com o cheiro da terra e com a sensação, nada objectiva, mas que existe, de que se está rodeado de coisas vivas que não compreendemos na totalidade e não nos compreendem - os elementos da floresta -, desse pé de trás para o pé da frente, que já ultrapassou a ombreira da porta, a distância não deve ser medida em centímetros de passada, mas em séculos, talvez milénios.»

Excerto de O Senhor Walser, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho, 2006

Água, cão, cavalo, cabeça


Água cão, cavalo, cabeça é um livro de pequenas histórias, fragmentos, mistura de narrativas. São como que canções. Por vezes depressivas, outras vezes, trágicas. Raramente alegres.

«No número 18 passam-se coisas. É um bairro pobre, e por isso proibiram as canções tristes, vê como saltam durante as festas.— Um velho de oitenta anos foi morto. Ele caminhava como os velhos: mais ligado ao anterior passo que ao próximo. Tenho força porque não sei, não conheço. Decorar um quarto de criança não é o mesmo que escolher o tipo de caixão para o velho de oitenta anos espancado até à morte por dois rapazes (disseram ontem nas notícias). Encontraram-no no meio do lixo: se fosse uma mulher ou um rapaz, novos, bonitos, seria fácil ver as diferenças do corpo em relação ao espaço: porque era Verão e no calor a pele, no que é jovem, exibe-se.E havia calor, mas sedução não. (Que ridículas certas palavras em certos contextos.) Bateram nele, no velho, como se bate nos velhos, com mais força, pela cobardia dele, a do velho, que nem é novo para se defender.
E havia calor, mas sedução não. (Que ridículas certas palavras em certos contextos.) Bateram nele, no velho, como se bate nos velhos, com mais força, pela cobardia dele, a do velho, que nem é novo para se defender.Mas ninguém viu pernas, nem ombros de cor de corpo: era tudo lixo, de uma cor escura, igual, ligados pelo feio, e no meio o velho com oitenta anos: como é difícil encontrar um velho morto no meio do lixo. Parecia Inverno, naquela casa com o n.o 18, desabitada, com o chão coberto de lixo: guarda-chuvas partidos, roupa rasgada, bocados de objectos, um frigorífico deitado sem porta (vês o que é aquilo: dois braços do velho morto), jornais, muito jornais. Puxaram-no pelos braços e o corpo estava ali todo, debaixo do lixo. O velho de oitenta anos.
— Se o filho dele descobre quem fez isto — alguém disse. "Não busques na erva muda, Busca a erva muda." Um poeta nórdico — Bo Carpelan — escreveu estes dois versos e eu assinalei-os com o meu lápis-encontrador-de-belezas, assinalei-os ainda no ano 2000, 27 de Novembro de 2000. Com o lápis assinalei-os, a substituir o cartaz que é costume colocar-se em sítios públicos: atenção!, aqui há algo para se olhar duas vezes (pelo menos). A fisiologia é neutra porque é possível que seis homens busquem o corpo de um velho de oitenta anos que desapareceu de casa, que o procurem no meio de uma lixeira e que passem mesmo ao lado de uma das suas mãos de cadáver ou perna, e entre essa fisiologia de perna morta e a fisiologia de um metal velho poucas diferenças existem».

Excerto de "a mulher" de Água, cão, cavalo, cabeça, Caminho, 2006, 94 págs.

Jerusalém


É um livro sobre os limites da loucura e da razão. Livro também sobre a crença. O livro começa com Mylia a tentar entrar numa igreja às quatro da manhã. Mylia, uma mulher forte, tem uma doença mental e acaba internada num hospício. Theodor Busbeck, seu ex-marido desenvolve um estudo sobre o mal e o horror ao longo da História. Há depois uma personagem terrível, assustadora, Hinnerk, um ex-combatente. Mylia engravida no hospício e tem um filho de um outro internado. As personagens cruzam-se, conduzidos por um destino que não dominam, na noite em que tudo começa e tudo termina.Romance que pertence ao Reino (conjunto de romances cujo tema central é o mal). Estes também são conhecidos como os livros pretos.

«Como as substâncias se separavam logo à partida, entre as que avançavam com a vontade própria e as que esperavam com a obediência estática (e nisso dividiam-se como alguns homens). Os sapatos eram a obediência pura, a escravidão mesquinha, enojavam-lhe naquele momento; a sabujice destes materiais em relação ao homem. Nenhum cão é tão sabujo como estas substâncias. Não há possibilidade de diálogo entre substâncias que nascem logo em campos opostos, em campos, não inimigos, que isso seria pensar na possibilidade de elevação do homem que agarra na arma para combater; ali, pelo contrário, o afastamento não era entre substâncias inimigas ou entre dois predadores que se preparam para combater por um pequeno território; tratava-se simplesmente de passividade absoluta de um lado, e do outro energia forte, que constrói ou destrói, mas que modifica sempre. Não somos uma coisa que espera, murmura Mylia, enquanto avança a passos fortes para a igreja.»

Excerto de "Jerusalém", romance, Círculo de Leitores, 2004; Caminho, 2005.
Prémio Ler-Millenium-BCP
Prémio José Saramago 2005
Prémio Portugal Telecom de Literatura 2007 (Brasil)

O Senhor Calvino



O Senhor Calvino é uma personagem que gosta de dar longos passeios e coloca constantemente desafios existenciais a si próprio, tais como transportar pelo bairro uma barra metálica paralela ao solo, ou levar 10 kg de terra de um local para outro, utilizando uma colher de chá – para treinar a paciência.

«Do alto de mais de trinta andares, alguém atira da janela abaixo os sapatos de Calvino e a sua gravata (quem?). Calvino não tem tempo para pensar, está atrasado, atira-se também da janela, como que em perseguição. Ainda no ar alcança os sapatos. Primeiro, o direito: calça-o; depois, o esquerdo. No ar enquanto cai, tenta encontrar a melhor posição para apertar os atacadores. Com o sapato esquerdo falha uma vez, mas volta a repetir, e consegue. Olha para baixo, já se vê o chão. Antes, porém, a gravata; Calvino está de cabeça para baixo e com um puxão brusco a sua mão direita apanha-a no ar e, depois, com os seus dedos apressados, mas certeiros, dá as voltas necessários para o nó: a gravata está posta. Os sapatos, olha de novo para eles: os atacadores bem apertados; dá o último jeito no nó da gravata, bem a tempo, é o momento: chega ao chão, impecável.»

Excerto de "1º sonho de Calvino", d' O Senhor Calvino, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho, 2005

O Senhor Kraus



O senhor Kraus é um jornalista que é convidado para fazer uma crónica sobre política. Para além da acidez e ironia com que vai comentando os diversos acontecimentos políticos, o senhor Kraus, nas suas crónicas inventa, três personagens: o Chefe e os dois Auxiliares. Episódios e diálogos que satirizam os tiques universais dos políticos. Pertence à série O Bairro.

«Uma enorme comitiva de economistas entrou nos aposentos centrais. Traziam um relatório gigante. Era o diagnóstico; o estado da economia do país ali estava, ao pormenor. Três meses de trabalho envolvendo mais de 32 mil economistas. Bem remunerados, mas era merecido: o relatório tinha mais de seiscentas páginas. E um índice. Foi no índice que o Chefe pegou.

- Isto ajuda muito. Facilita a consulta – disse o Chefe, surpreendido.- Ajuda muito – concordou o Presidente da Comitiva dos Economistas. – O Chefe vê aqui o tema abordado e logo depois, uns espacinhos mais à frente, surge a página. - Excelente ideia!! – exclamou o Chefe.- Já tem sido utilizada noutros trabalhos de outras pessoas; mesmo fora da política. E até noutros países. Quando os relatórios são muito grandes a indicação das páginas onde cada tema é aprofundado permite que quem consulte o documento não perca muito tempo até encontrar o assunto que lhe interessa.O Chefe estava fascinado. Aquela questão do índice. Que ideia!! Estava bem rodeado, sem dúvida. Estes economistas!!»

Excerto de "O índice", d' O Senhor Kraus, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho.

O Senhor Juarroz



Livro de pequenas histórias de um tal senhor Juarroz. Livro pertencente à série O BAIRRO. O senhor Juarroz é um homem que teoriza tudo, mas é completamente desastrado na vida prática. A mulher do senhor Juarroz lá vai evitando maiores desastres.

«O senhor Juarroz pensou num Deus que, em vez de nunca aparecer, aparecesse, pelo contrário, todos os dias, a toda a hora, a tocar à campainha. Depois de muito meditar sobre esta hipótese o senhor Juaroz decidiu desligar o quadro da electricidade.»

Excerto de "A morte de Deus", d'O Senhor Juarroz, desenhos Rachel Caiano, Editorial Caminho.

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

A Máquina de Joseph Walser


Romance que decorre exactamente no mesmo período do romance Um homem: Klaus Klump. A personagem central deste romance, Joseph Walser, é, no entanto, ao contrário de Klaus Klump, um homem fraco, que se afasta do centro dos conflitos, que aceita tudo, passivamente. A evolução de Joseph Walser pode ser entendida em contraponto à de Klaus Klump. Joseph Walser é trabalhador de uma fábrica, e trabalha directamente com uma máquina – máquina essa que alterará por completo a sua vida. Romance que pertence a O Reino (conjunto de romances cujo tema central é o mal). Estes também são conhecidos como os livros pretos.
«Não tinha sequer uma pistola, mas eliminara a grande fraqueza da existência, fizera desaparecer a primária fragilidade da espécie: não possuía qualquer inclinação para o amor ou para a amizade! E nesse momento, a caminhar em plena rua, desarmado, observando de cima os seus sapatos castanhos, velhos, sapatos irresponsáveis como troçava Klober, nesse mesmo momento Walser sentia-se tão seguro – e ao mesmo tempo ameaçador – como se avançasse dentro de um tanque pela rua. Porém, subitamente, deu um salto para o lado. Quase pisara uma massa alta. Era um homem. E estava morto.»
A Máquina de Joseph Walser, romance, Caminho, 2004.

Um Homem: Klaus Klump


A personagem central deste romance é Klaus Klump, um homem forte, filho de famílias ricas, homem que se manterá sempre no centro dos conflitos, quer esteja de um lado ou de outro. Com ele se cruzará também uma mulher forte – Herthe – alguém que fará tudo para se manter sempre no lado dos que vencem. No fundo deste livro está um conflito militar. Romance que pertence a O Reino (conjunto de romances cujo tema central é o mal). Estes também são conhecidos como os livros pretos.
«Há exercícios para treinar a verdade como, por exemplo, ter medo. Ou então ter fome. Depois restam exercícios para treinar a mentira: todos os grupos são isto, e todos os negócios.Estar apaixonado é a outra forma de exercitar a verdade.»-
Um Homem: Klaus Klump, romance, Caminho, 2003

O Senhor Brecht


O Senhor Brecht é um contador de histórias. Senta-se numa sala praticamente vazia e vai contando pequenas histórias entre o absurdo e o humor negro. A sala vai enchendo aos poucos, o que lhe trará no final um novo problema: o público tapa a porta de saída – e o senhor Brecht fica assim encurralado com o seu próprio sucesso.
«Por um curto-circuito eléctrico incompreensível o electrocutado foi o funcionário que baixou a alavanca e não o criminoso que se encontrava sentado na cadeira. Como não se conseguiu resolver a avaria, nas vezes seguintes o funcionário do governo sentava-se na cadeira eléctrica e era o criminoso que ficava encarregue de baixar a alavanca mortal.»
Excerto de "Avaria" d'O Senhor Brecht, Editorial Caminho, 2004.

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

O senhor Henri


O Senhor Henri é um falador. Tem dois grandes amores: o absinto e as enciclopédias. Ao mesmo tempo que não pára de beber absinto vai discorrendo sobre os mais diversos assuntos enciclopédicos. As suas informações parecem não interessar aos seus interlocutores, no entanto isso não é motivo bastante para o senhor Henri se calar. Há medida que as páginas avançam o absinto vai fazendo efeito.
«... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.... mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida – disse o senhor Henri.... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.»
O Senhor Henri, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho 2003.

O senhor Valéry


O Senhor Valéry é um homem que leva a lógica até aos limites, na tentativa de explicar o mundo. As suas explicações são sempre acompanhadas de desenhos. Tem um animal doméstico nada usual e uma casa de férias muito estranha. Chega a explicações absurdas, apenas porque nunca prescinde da sua lógica. Há quem tenha dito que lembra Tati ou o Principezinho.
«O Senhor Valéry era pequenino, mas dava muitos saltos. Ele explicava: Sou igual às pessoas altas só que por menos tempo.»
Prémio Branquinho da Fonseca Gulbenkian/Expresso.
O Senhor Valéry, desenhos Rachel Caiano , Editorial Caminho, 2002